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terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Confit de Tomate!

Desde os tempos remotos os cozinheiros da Asia e Europa Central já sabiam que cobrir carne cozida com uma camada de gordura ajudava a preservá-las. Por que? Ora, porque a gordura impede o contato da carne com o oxigênio, o que evita a proliferação de bactérias!

Até hoje em dia o Confit de Canard é um prato chiquezinho na França. Mesmo no interior do Brasil ficou famoso o porco na lata, que nada mais são do que saborosos pedaços de porco cozidos ou assados mantidos sob a gordura solidificada, dentro de uma lata! Minha vó fazia! O povo do interior era chique e não sabia! O porco na lata virou até modinha entre os chefs estrelados da capital (Dalva e Dito?). Sim, porque depois da grande invenção chamada geladeira, o que ficou mesmo foi o interesse pelo mega sabor desse tipo de preparação! Sim, porque o preparo sempre envolve cozimento lento e conservação em gordura!


A origem do nome confit vem do Francês confire que, por sua vez, vem do latim Conficere, ou seja, fazer, preparar, produzir. Foi primeiramente usada para designar frutas cozidas em açúcar ou mel (confiture), depois vegetais e depois para carnes. Hoje em dia designa o alimento que foi preparado lentamente, coberto por gordura e todo o sabor e maciez que vem daí e de dias ou meses de conservação!

A receitinha de hoje é de confit de tomate. Como todo confit não deixe os tomates fritarem! Eu tive que fazer no forno por exemplo, na temperatura mais baixa. As bocas do meu fogão fritam, não tem jeito...

Esse receita é perfeita pra servir de entrada, com pães, queijos, frios... E com o que você quiser, pois combina com tudo!

Confit de Tomate

500g de tomates pequenos (cereja, sweet grape, pera)
Azeite o quanto baste para cobri-los
1 colher de café rasa de sal (ou moído na hora)
2 dentes de alho descascados e fatiados
1 punhado de ervas desidratadas (a que tiver disponível)
Pimenta do reino moída na hora

Lave e seque os tomates. Coloque os tomates forrando o fundo de uma assadeira ou panela que possa ir ao forno. Adicione os demais ingredientes e cubra com o azeite. Ligue o forno na temperatura mais baixa e mexa o confit com cuidado de vez em quando. Leva mais ou menos uma hora e meia para ficar no ponto certo, ou seja, os tomates continuam inteirinhos, gorduchinhos, mas com a casca já enrugando! Assim ó:

Foto by VECB.

Pode servir imediatamente, depois de esfriar um pouco ou guardar em potes com tampas, esterilizados com água fervente. "Dura" umas duas semanas na geladeira.

Minhas fontes: On Food and Cooking - Harold McGee e o ótimo blog Figos e Funghis.


sábado, 3 de novembro de 2012

Panquecas Americanas

Comfort food total! Delícia acordar e comer uma dessas quentinha, com nata ou chantilly e uma calda de maple syrup por cima! Ótimo para começar bem o dia! Se bem que vai bem em qualquer hora do dia!



As panquecas já eram consumidas pelos romanos antigos. Era uma mistura de leite, ovos, farinha e especiarias e eram chamadas de "outro doce" ou Alita Dolcia, na língua deles. Isso por volta do século 13. Mas as panquecas mesmo, como conhecemos da cultura americana, foi inventada na Europa Medieval. Pode-se perceber essa relação com os crepes franceses, por exemplo. Outro costume herdado dos europeus pelos americanos é de se servir as panquecas um dia antes do natal ou na terça-feira de carnaval como símbolo de renovação e fartura.

Curiosidade: Shakespeare menciona panquecas quatro vezes em duas peças. Ambas são comédias e ambos os personagens que fazem referência às panquecas são palhaços:

All's Well that Ends Well
"As fit as ten groats is for the hand of an attorney, as your French crown for you taffety punk, as Tib's rush for Tom's forefinger, as a pancake for Shrove Tuesday, a morris for May-day, as the nail to his hole, the cockold to his horn, as a scolding quean to a wrangling knave, as the nun's lip to the friar's mouth, nay, as the pudding to his skin." [2.02 23]
As You Like It
"Of a certain knight, that swore by his honor they were good pancakes, and wore by his honor the mustard was naught. Now I'll stand to it, the pancakes were naught, and the mustard was good, and yet was not the knight forsworn." [1.02 64-7]


Panquecas são um pouco mais viscosas que crepes e contém bolhinhas que ficarão retidas por pouco tempo. Quando você coloca a massa na frigideira, aos poucos começam a surgir as bolhinhas, que estavam retidas, na superfície. Isso faz da panqueca uma massa leve e aerada. Essa efevercência vem da clara dos ovos e do fermento colocados na massa. Quando as bolhinhas param de surgir, é hora de virar a massa e cozinhar do outro lado! Por isso o controle do fogo é bastante importante. Se não sentir segurança, vá de fogo baixo!

Panquecas Americanas

140g de farinha de trigo
10 de fermento em pó
15g de manteiga sem sal derretida
15g de açúcar
1 ovo
250ml de leite integral
1 pitada de sal

Uma boa tabela de conversão de medidas você encontra aqui.

Misture os ingredientes secos em uma vasilha e os líquidos em outra. Adicione os líquidos aos secos, incorporando levemente. Deixe a massa descansar por 5 minutos (bolhinhas, lembra?). Frite as panquecas em frigideira anti-aderente untada com óleo. Pingue a massa com uma concha de forma que fiquem redondas. Controle o fogo e assim que estiverem douradas de um lado, vire para que fiquem douradas do outro lado. Sirva com maple syrup, ou geléias, ou mel, ou com o que você quiser! Nata ou chantilly também são ótimas pedidas!

Fontes: 
www.foodtimeline.org/
Livro: On Food and Cooking